Água de coco nos treinos: da praia à performance esportiva

O consumo de água de coco em treinos deixou de ser um hábito sazonal para se consolidar como estratégia de hidratação entre praticantes de atividade física. Impulsionada por temperaturas elevadas, crescimento dos treinos ao ar livre e maior preocupação com rótulos limpos, a bebida avança dentro de um mercado global bilionário.

Segundo relatório da Global Growth Insights (2024), o mercado mundial de água de coco embalado movimentou aproximadamente US$ 4,3 bilhões em 2024, com projeção de alcançar US$ 6,7 bilhões até 2026. O estudo aponta ainda que a categoria já representa 28% do segmento de bebidas à base de plantas, refletindo a migração do consumidor para opções naturais e minimamente processadas.

O movimento acompanha uma tendência mais ampla de substituição de bebidas esportivas artificiais por alternativas percebidas como mais naturais.

Hidratação natural: o que diz a ciência

Do ponto de vista fisiológico, a água de coco contém eletrólitos essenciais para o equilíbrio hídrico, como potássio, sódio e magnésio, além de carboidratos naturalmente presentes.

De acordo com a U.S. Department of Agriculture (USDA FoodData Central), 100 ml de água de coco contêm cerca de 250 mg de potássio — mineral fundamental para contração muscular e prevenção de cãibras.

Estudo publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition (Kalman et al., 2012) comparou água de coco, bebida esportiva tradicional e água comum após exercício intenso. Os pesquisadores concluíram que a água de coco foi tão eficaz quanto bebidas isotônicas comerciais na reidratação pós-treino, apresentando boa tolerabilidade gastrointestinal.

A Harvard T.H. Chan School of Public Health também reconhece a água de coco como alternativa viável para reposição leve a moderada de fluidos, embora ressalte que, em exercícios muito prolongados ou de alta intensidade, pode ser necessária reposição adicional de sódio.

Água de coco nos treinos de crossfit

O impacto do calor e da atividade ao ar livre

Segundo a American College of Sports Medicine (ACSM), perdas equivalentes a apenas 2% do peso corporal por desidratação já comprometem desempenho físico e capacidade cognitiva. Em ambientes quentes, essa perda pode ocorrer de forma acelerada.

Nesse contexto, bebidas com reposição eletrolítica leve e rápida absorção passam a integrar a rotina de corredores, praticantes de funcional, ciclistas e frequentadores de academias.

Naturalidade, qualidade e rastreabilidade

O avanço da categoria também acompanha a busca por ingredientes reconhecíveis. Pesquisa da NielsenIQ (2023) aponta que mais de 60% dos consumidores globais preferem bebidas com menos aditivos artificiais.

Parte das águas de coco industrializadas utiliza metabissulfito para estabilização de cor e sabor. Já versões integrais optam por antioxidantes naturais, como vitamina C.

No Brasil, a empresária Bianca Coimbra, CEO e cofundadora da marca de água de coco integral Lynv, resume essa mudança de comportamento:

“As pessoas estão repensando o que colocam no corpo, especialmente no esporte. A água de coco oferece hidratação, eletrólitos e energia natural, sem corantes, conservantes ou aditivos. É uma performance limpa, alinhada ao estilo de vida de quem treina hoje.”

A produção no Nordeste, especialmente no Ceará — um dos principais polos produtores do país segundo dados da EMBRAPA Agroindústria Tropical — utiliza o índice BRIX como parâmetro de maturação e dulçor. De acordo com a FAO (Food and Agriculture Organization), o BRIX é amplamente empregado no controle de qualidade de bebidas vegetais, por indicar concentração de sólidos solúveis e estágio ideal de colheita.

A redução do tempo entre extração e envase também é considerada fator relevante para preservação sensorial e nutricional.

Para quem a água de coco é indicada?

Com base nas evidências científicas e recomendações esportivas:

✔ Atividades físicas moderadas (até 60 minutos)
✔ Treinos ao ar livre sob calor
✔ Reidratação pós-exercício
✔ Praticantes que priorizam bebidas naturais

Para exercícios de alta intensidade ou duração superior a 90 minutos, especialistas da ACSM indicam que pode ser necessária suplementação adicional de sódio.

Mercado em expansão e mudança cultural

O crescimento da água de coco dialoga com tendências mais amplas do mercado de bem-estar. Segundo a Grand View Research (2024), o segmento global de bebidas funcionais apresenta crescimento médio anual superior a 7%, impulsionado por consumidores jovens e ativos.

A água de coco, antes associada majoritariamente ao consumo recreativo, consolida-se como alternativa funcional dentro da rotina esportiva — unindo hidratação, naturalidade e percepção de qualidade.

Conclusão

A consolidação da água de coco no universo dos treinos não é apenas uma tendência sazonal. Dados científicos indicam eficiência na reidratação leve a moderada, enquanto relatórios de mercado apontam crescimento consistente da categoria.

Com consumidores cada vez mais atentos a rótulos e desempenho, a bebida reforça seu papel como alternativa natural na chamada hidratação inteligente.

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