Iniciativa iniciada em 2018 desafiou o clima, avançou em diferentes regiões e já conquistou prêmios nacionais, mostrando a força crescente do cultivo de lúpulo no Brasil.
O projeto começou em Teresópolis e se expandiu para Uberaba, consolidando práticas agrícolas adaptadas ao país. A estratégia trouxe reconhecimento na Copa Brasileira do Lúpulo. Além disso, iniciativas de sustentabilidade e inovação ampliaram a eficiência no campo, reforçando o impacto dessa cultura no cenário cervejeiro brasileiro.
Desafios e avanços no cultivo nacional

O lúpulo é um dos elementos fundamentais da cerveja, responsável por amargor, aroma e sabor. Tradicionalmente, seu desenvolvimento esteve limitado a países de clima frio, como Alemanha e Estados Unidos, que concentram grande parte da produção mundial. No Brasil, por décadas, acreditou-se que a cultura não prosperaria.
O Grupo Petrópolis desafiou essa visão em 2018, quando iniciou um projeto experimental em Teresópolis (RJ) com 316 mudas de dez variedades. Algumas espécies apresentaram adaptação satisfatória, permitindo o avanço das pesquisas. A partir disso, a equipe técnica passou a selecionar variedades compatíveis com o solo e o clima local, estabelecendo um marco no cultivo de lúpulo no Brasil.
Em 2023, a expansão chegou a Uberaba (MG), com 5.600 mudas das variedades Comet e Cascade, cultivadas em dois hectares. Hoje, as áreas do grupo somam plantações em Teresópolis e Uberaba. Dados da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo) indicam que Minas Gerais lidera em área plantada, enquanto o Rio de Janeiro registra o maior crescimento proporcional.
Segundo Diego Gomes, diretor industrial do grupo, a jornada foi pautada pelo uso de mudas homologadas pelo Ministério da Agricultura e por práticas agrícolas sustentáveis, sempre com foco em eficiência e aprendizado.
O reconhecimento nacional não demorou a surgir. Na Copa Brasileira de Lúpulo, o Grupo Petrópolis conquistou 10 medalhas em quatro edições. Em 2025, foram três prêmios: prata na categoria Chinook e bronze nas variedades Triumph e Triple Pearl. A competição avaliou 94 amostras de 32 fazendas, com análises químicas e sensoriais conduzidas por 32 jurados.
Sustentabilidade e impacto no mercado cervejeiro

Além de investir no cultivo, a companhia desenvolveu práticas sustentáveis no campo. Em Teresópolis, os resíduos do lúpulo passaram a ser compostados, reduzindo em 75% os custos de manejo e enriquecendo o solo com nutrientes essenciais. O processo também contribuiu para reduzir fertilizantes químicos e emissões de carbono.
Em Uberaba, a mecanização trouxe ganhos de eficiência. O tempo de pulverização por hectare foi reduzido de um dia para apenas uma hora, diminuindo desperdícios e aumentando a segurança no trabalho agrícola.
O impacto dessa evolução já é sentido no mercado cervejeiro nacional. Embora o Brasil seja o terceiro maior consumidor mundial de cerveja, o hábito de consumo sempre priorizou estilos leves. Com o fortalecimento do cultivo de lúpulo no Brasil, a tendência é ampliar a oferta de rótulos mais aromáticos, aproximando o país de movimentos já consolidados em outros mercados, como o norte-americano nos anos 1990.
Parte da produção própria do grupo já foi utilizada em cervejas especiais, como a Black Princess Braza Hops, lançada em 2020 e 2022. Embora ainda não supra toda a demanda, o avanço representa um passo estratégico para a valorização do insumo nacional e para a consolidação de uma cadeia produtiva que une inovação, sustentabilidade e identidade brasileira.