Sommelieria Brasileira

Queda de vendas da Heineken justifica alta da Ambev?

Os resultados do primeiro trimestre das duas multinacionais cervejeiras mostram que a pandemia pode ter freado o desempenho de ambas, mas Ambev sai na frente. No final de abril, a Heineken divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2021 e os números mostram que o lucro líquido foi a €168 milhões, que é quase 80% maior do que 2020, mas é 40% menor do que 2019. Isso mostra que houve melhora, mas a pandemia segue afetando suas vendas. Principalmente no Brasil, em que houve queda de vendas de 4% a 6% no primeiro trimestre. Essa queda pode ser atribuída ao aumento nos valores de venda que tiveram reajuste, às restrições de capacidade e a diminuição de renda dos consumidores que podem deixar de consumir produtos premium da empresa, o que diminui suas margens. Além disso, o grande problema que a Heineken tem passado é em relação ao fornecimento de garrafas, que tem sido recorrente na maioria das cervejarias brasileiras. Essa desvantagem aumenta o abismo entre os resultados da Ambev, que supriu cerca de 44% da necessidade de garrafas internamente e por fortes contratos com seus fornecedores. A queda no volume total de produção tem relação com a capacidade de produção que está aquém do esperado, e é resultado da dificuldade de manter a cadeia de fornecimento de garrafas em andamento. Mesmo a Heineken afirmando que agora está produzindo sua capacidade máxima, suas marcas de valor estão vendendo menos. Os resultados da Ambev que saíram hoje, demonstram que o lucro líquido subiu 124,9%% em relação ao ano anterior. No Brasil, a receita líquida subiu 26,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Abaixo da média mundial, mas ainda confere crescimento à companhia. É possível perceber que a alta capacidade da Ambev de gerir sua cadeia de suprimentos, aliada ao variado mix de produtos, com marcas, posicionamentos e valores diferentes favorece sua alta participação no mercado. Entretanto, é importante lembrar da pesquisa do Credit Suisse que inferiu que a Heineken é a marca preferida do brasileiro, mas não a mais consumida. Isso se reflete nos resultados dessas multinacionais, pois o reajuste da Heineken junto à sua diminuição de capacidade de produção e a redução da renda do consumidor fez com que seu produto mais conhecido, não tenha sido o mais comprado. Além disso, posso incluir aqui minha opinião de sommelier que acredita que muita gente ainda considera a cerveja Heineken muito amarga. Embora eu ache que não precise mudar (o produto é esse e pronto), eu já ouvi de muita gente que a empresa deveria diminuir o amargor para que fosse mais bem recebida pela maioria, ou ainda que o preço deveria diminuir para competir com as cervejas da Ambev. Bom, não creio que o objetivo da Heineken seja oferecer cervejas iguais as de sua maior concorrente (opinião da mera mortal aqui, vai que seja né?), suas vendas estão baseadas na criação de valor e qualidade de suas marcas premium. A Ambev também faz o mesmo, mas obviamente tem uma variedade maior de produtos, com posicionamentos diferentes, que possibilitam oferecer cervejas de massa com preços extremamente acessíveis, bem como cervejas especiais para um nicho mais exigente e com maior capacidade de compra. Isso é mercado, análises como esta fazem parte da realidade de quem está inserido no mercado de cervejas. Precisamos entender as preferências do consumidor, além dos resultados ($) de uma companhia. Sem dúvidas, a forma de consumo de bebidas alcoólicas no Brasil mudou muito após o início da pandemia. A Ambev apostou mais no Zé Delivery, o aplicativo de entrega de cerveja gelada em casa que além de cumprir seu papel comercial com inúmeros pontos de venda cadastrados, traz dados de consumo e preferências do consumidor. E a Heineken lançou recentemente um aplicativo com benefícios e descontos, em que a venda ocorre através de pontos parceiros, com objetivo de agregar ainda mais parceiros para aumentar seu alcance. A criação desses aplicativos representa o tipo de adaptação necessária em tempos de pandemia e aumenta a proximidade com o consumidor, além de o fidelizar através de ações e campanhas. As expectativas para ambos os grupos é de crescimento no próximo trimestre, mas acredito que a Heineken vai ter “rebolar” um pouco mais para continuar ganhando espaço no mercado. Começando pelo planejamento e gestão da cadeia de suprimentos. Tem mais alguma ideia pra discutir? Me manda! Pode ser no insta @aline.sommelier ou no email degustarebeer@gmail.com

Never Alone: Heineken destaca a união dos torcedores para as finais da Champions

Nesta última segunda, 12, a Heineken apresentou a sua nova campanha de divulgação do patrocínio da UEFA Champions League, que marca o 16º ano de parceria com o principal torneio de times do futebol mundial. Com o mote “Você nunca está assistindo sozinho, mesmo que esteja assistindo sozinho”, ”Never alone” é um filme assinado pela Publicis Milão, que convida os consumidores a acompanharem o campeonato com responsabilidade e vivenciarem juntos, de suas casas, toda a emoção que acompanha as partidas finais. Estrelado por Thierry Henry, lendário ex-jogador e campeão mundial, também ganhador de um título da UEFA Champions League pelo Barcelona (2008/2009), o filme mostra que mesmo em momentos tão desafiadores, com várias restrições sociais, uma partida de futebol é capaz de unir pessoas. Graças a paixão pelo futebol, os torcedores, em suas casas, vibram a mesma emoção simultaneamente. “Com ‘Never Alone’ queremos reforçar a mensagem de que estamos vivendo um momento difícil, em que é extremamente necessário manter distanciamento social. Mas, durante os jogos da UEFA Champions League, nenhum torcedor está sozinho. A emoção de cada partida conecta pessoas ao redor do mundo”, comenta Gabriel D’Angelo Braz, diretor marketing da marca no Brasil.

O Dia Mundial Sem Carne da Heineken

No dia 20 de março, a Heineken fez uma postagem no Instagram que rendeu mais de 28 mil comentários. A imagem de um copo de cerveja em meio a um mar verde de lúpulos em flor dizia: “20 de março. Dia Mundial sem Carne”. E na legenda: “Neste dia Mundial Sem Carne, que tal comer e beber mais verde? A cerveja feita com água, malte, lúpulo e nada mais é a opção perfeita para o acompanhamento de hoje.” A postagem gerou comoção de todos os lados. Muitos comentários negativos, ofensivos, de boicote e outros de incentivo. Como: “Vou comemorar fazendo um churrasco” “Equipe de marketing fraca” “Todos os dias SEM Heineken” “Minha verdinha querida, sempre mais querida” “Partiu churras vegan” A maioria, dizendo que não consumiria mais Heineken nos churrascos como de costume, como forma de protesto. Alguns comentários, consideravam a postagem ofensiva para o mercado de carnes. Agora vejamos, analisando a linguagem utilizada: “…que tal comer e beber mais verde?” não foi evidenciada nenhuma restrição ou indicação de que a marca não concorda com o consumo de carne. Me parece mais: tá aí um argumento para quem precisa consumir mais verde, beba Heineken. Ou aqui você tem a segurança de não ter insumos de origem animal, tá liberado beber. É esse tipo de mensagem que me passa, mesmo eu sendo consumidora de carne. Claro, não posso falar por todos, mas em nenhum momento me senti ofendida com a postagem. Agora pensando no cenário da pecuária brasileira, esse sim se sentiu ofendido, como vi em alguns textos de protesto, que identificam a postagem como uma forma de minar a indústria da carne que tem muita relevância no país e grande importância econômica e social. Posso até tentar me colocar no lugar da indústria da carne: “poxa, o tipo de produto que é parceiro pro churrasco, não reconhece nosso posto”. Mas ainda não entendo como uma crítica ou forma de ataque. E mesmo que fosse uma crítica, sendo válida, porque não refletir? Contextualizando, existe um movimento internacional que se iniciou nos Estados Unidos através de uma iniciativa da ONG FARM (Farm Animal Rights Movement), que criou o dia 20 de março como o Dia Mundial Sem Carne, além disso, esse movimento tem ganhado simpatia de diversas pessoas, que vem adotando a “segunda sem carne”, vista inclusive em diversos restaurantes. Esses movimentos tem objetivo de diminuir o consumo de carne, visto o impacto ambiental que ele traz junto. Veja bem, o restaurante ou a instituição que adere ao movimento, não deixa de servir carne no dia, apenas oferece uma opção livre de carne, como forma de conscientização ou para ganhar respeito e aderência do público vegetariano ou vegano. Ninguém faz por ser bonzinho, nem a Heineken, nem a pecuária. Tudo é estratégia! Agora vem a questão, será que essa estratégia foi pensada no público que consome a cerveja? Será que foi uma provocação proposital ou uma gafe que o marketing deixou passar? Pesquisei em mais de 15 contas oficiais de Instagram da Heineken de diversos países e todos seguem uma espécie de agenda muito similar, campanhas iguais, globais, porém cada país tem uma abordagem a partir de suas particularidades, personalidades ou celebridades a frente. Nenhuma das contas que visitei tinha sequer uma menção do Dia Mundial Sem Carne, ou seja, foi uma escolha do time Brasil. Mesmo que tenha sido uma gafe, uma necessidade de preencher o calendário de postagens como vi alguns falarem, a Heineken sempre se mostrou como uma empresa que faz provocações aos seus consumidores. Nós estamos falando da mesma empresa que há pouco tempo fez uma propaganda em que estimulava os homens a beberem seus drinks, e que as mulheres gostam de cerveja sim, mostrando que tem espaço pra todos, e na mesma época, eu vi algumas pessoas incomodadas com esse vídeo circulando. Sinceramente, acredito que se uma marca tem potencial de se fazer ouvida, incomodar com assuntos polêmicos e importantes, é a grande marca. Empresas muito pequenas, não podem se dar ao luxo de perder consumidores por posicionamento (digo no geral, claro que tem nichos que já identificam um certo posicionamento). Será que essa polêmica da marca vai diminuir o consumo e causar real boicote? Será que essas pessoas vão realmente deixar de comprar a cerveja para levar pro churrasco? Esse ano foi publicada uma pesquisa pelo Credit Suisse chamada ‘Um gole de cerveja: entendendo as preferências do consumidor” que ouviu 800 consumidores de cerveja em 2020. Nela, foi identificado que a cerveja preferida do brasileiro é a Heineken, mesmo que nem sempre a compre, ele prefere ela! A marca é considerada a cerveja preferida por 28% dos entrevistados, contra 13% da Skol, 12% da Brahma, 11% da Budweiser e 8% da Brahma Duplo Malte. O que podemos pensar é que é preciso muito sentimento de vingança para não mais consumir a marca, será que o consumidor vai guardar tanto rancor ainda? Acredito que vai acabar caindo no esquecimento, a marca ainda ganhou a simpatia do público vegetariano e vegano que de alguma forma se sente incluído, lembrado. Um dia depois da repercussão, a Heineken publicou no Instagram uma imagem com a cerveja no meio, uma salada de um lado e carne do outro com a escrita: “Um brinde ao respeito por todas as escolhas”. Aqui, pra mim, mostrou que a marca se incomodou com os comentários, tentou mostrar que quer manter os dois públicos, mas me parece mais apagar incêndio, isso não estava planejado, com certeza. Por fim, venho dizer que tudo isso é uma reflexão para nos fazer pensar mesmo, rever nosso consumo e de fato consumir da empresa que nos identificamos. As empresas estão percebendo isso, pesquisas têm sido feitas para identificar os tipos de relacionamento com o cliente, já que ele tem buscado cada vez mais conforto, confiança e emoções nos conteúdos, produtos e serviços que consome. E se você é como eu, que adora discutir sobre isso e tem outras ideias, me chama pra bater um papo. Pode ser com churrasco

Heineken produzirá cerveja com energia 100% renovável

A cervejaria Heineken anunciou que a sua produção no Brasil começará a utilizar 100% de energia renovável nas fábricas de Alagoinhas (BA), Araraquara (SP) e Ponta Grossa (PR). A ação faz parte da estratégia global para reduzir as emissões de CO2 na produção em 80% até 2030. A iniciativa também compõe a estratégia de sustentabilidade do Grupo Heineken no Brasil. A utilização de energia 100% renovável se aplica a todo o processo produtivo e de envase das cervejas da marca Heineken nas três fábricas mencionadas. Os rótulos das cervejas serão alterados, com a adição de um símbolo que informará ao consumidor que o produto faz parte de uma cadeia energética mais limpa para produção e envase na qual 100% das necessidades.

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A base de conteúdos desse canal é oriunda do antigo site Cerveja em Foco.