Sommelieria Brasileira

Pronampe: saiba mais sobre o programa de empréstimos para pequenas empresas

O presidente Jair Bolsonaro sancionou, na quarta-feira (2), a lei que torna permanente o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Ela foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta (4). O governo federal vai destinar R$ 5 bilhões para o programa em 2021, que podem se transformar em até R$ 25 bilhões em empréstimos. Bolsonaro fez dois vetos na proposta do Senado. Entenda como funciona o programa e o que precisa ser feito para ter acesso ao crédito: O que é o Pronampe? O Pronampe é um programa que disponibiliza empréstimos para pequenas empresas com juros mais baixos e prazo maior para começar a pagar. Ele foi criado em maio de 2020 para ajudar empresários a enfrentar a crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus. Desde então, foi renovado três vezes. Em 2020, o programa concedeu mais de R$ 37,5 bilhões em empréstimos para cerca de 517 mil empreendedores. Quem pode ter acesso ao empréstimo? Microempresas com faturamento de até R$ 360 mil por ano; Pequenas empresas com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões. Quais são as regras? A empresa pode pegar empréstimos de até 30% da receita bruta anual registrada em 2019. Para novos negócios, com menos de um ano de funcionamento, o limite do financiamento é de até metade do capital social ou de 30% da média do faturamento mensal. Cada empréstimo tem a garantia, pela União, de até 85% dos recursos. Todas as instituições financeiras públicas e privadas autorizadas a funcionar pelo Banco Central podem operar a linha de crédito. A empresa que optar pelo financiamento precisa manter o número de empregados por até 60 dias após o pagamento da última parcela. Como é feito o pagamento? O valor poderá ser dividido em até 48 parcelas. A taxa de juros anual máxima será igual à taxa Selic (atualmente em 3,5% ao ano), acrescida de 6%. Em 2020, esse acréscimo era de até 1,25%. O prazo para começar a pagar o empréstimo aumentou para 11 meses. Nas rodadas de 2020, o programa tinha prazo de carência de oito meses. Os empréstimos de 2020 começariam a ser pagos em março deste ano, mas o governo ampliou a carência em três meses e as primeiras parcelas começaram a vencer em junho. Para que tipo de operação o crédito pode ser usado? O dinheiro pode ser usado para investimentos, como adquirir equipamentos ou realizar reformas, e para despesas operacionais, como salário dos funcionários, pagamento de contas e compra de mercadorias. É proibido o uso dos recursos para distribuição de lucros e dividendos entre os sócios do negócio. Vetos O presidente fez os vetos na parte do projeto que autorizava a União a aumentar, até o fim de 2021, sua participação no Fundo Garantidor de Operações (FGO), que garante aos bancos participantes as operações contratadas no Pronampe e na parte que estabelecia a anulação de um dispositivo onde a prorrogação das operações de crédito do Pronampe não poderia ser posterior ao último dia útil de 2020. Dessa forma, os valores não utilizados no FGO-Pronampe deveriam ser devolvidos à União. Com esse veto, o FGO tem que devolver os recursos ao Tesouro Nacional, que fará um novo aporte no fundo relativo ao Pronampe. Fonte: ABRASEL

Vacinação vai ditar se a Oktoberfest em Blumenau acontecerá em 2021

A recente notícia que a Oktoberfest da Alemanha, a maior festa da cerveja do mundo, foi cancelada mais uma vez por conta do Coronavírus nos faz olhar para a Oktoberfest de Blumenau e fazer a mesma pergunta. E aqui? Por enquanto, não há resposta. O ritmo da vacinação é que vai ditar a realização da maior festa alemã das Américas e a segunda maior do mundo. E a decisão sobre a realização ou não ainda vai demorar um pouco, final de junho, começo de julho. Com base na situação do vírus no país e da imunização da população. Conversas com o trade turístico e cervejeiros locais estão acontecendo neste sentido. O presidente do Parque Vila Germânica e secretário de Turismo, Marcelo Greuel, diz que qualquer fala sobre a festa deste ano ainda é prematura. Mas garante que ela só vai acontecer se pelos menos três premissas forem cumpridas. Baixo risco de contaminação, sem adiamento – ou a festa acontece em outubro ou só em 2022 – e não pode ser reduzida a ponto de ser descaracterizada. Sem a Eisenbahn, cervejaria oficial até este ano que já anunciou sua decisão de não participar caso o evento se realize, as cervejarias locais dizem que estão aptas para assumirem. O empresário Valmir Zanetti, da Cerveja Blumenau, reforça a importância da vacinação para a realização da festa, destacando também os impactos econômicos e sociais da Oktoberfest, com geração em emprego e renda. E você, o que acha disso?

Preço da cerveja subiu em 2020 e a previsão é de continuar subindo este ano

A alta do dólar ao longo de 2020, a falta de embalagem e quebra da cadeia produtiva na produção da cerveja, deve provocar um impacto ao longo deste ano. Com a crise causada pelo novo coronavírus sem data para acabar e o dólar em constante alta, a previsão é de que insumos que precisam ser importados, como o lúpulo e o malte, além de problemas na produção de embalagens e na cadeia logística, encareçam a bebida preferida dos brasileiros ao longo do ano. Segundo Carlo Enrico Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), ao jornal Bem Paraná, os comerciantes estão segurando os preços o máximo que podem, e embora não seja possível cravar uma porcentagem de aumento, o reajuste deve ser entre 10% e 15%. “A constante alta do dólar gerou impacto no custo dos commodities, sem contar o custo de energia elétrica, que também aumentou. Esses fatores tiveram influência direta no preço das bebidas”, diz o diretor. “Se foi possível segurar até o momento, certamente o impacto vai desaguar em 2021”. Outro sério problema da indústria é a falta de embalagens. Cerca de 30% das empresas brasileiras registram falta de produtos ou dificuldade de entrega por parte de fornecedores. Esse aspecto já vem desde meados do ano passado, durante o auge da crise do novo coronavírus. Para os consumidores, as latinhas são preferência devido ao preço unitário ser mais barato do que a garrafa de vidro. Para as distribuidoras, como supermercados, além de mais barato também é mais fácil de transportar e armazenar”, diz Edinelson Marques, gerente comercial do Grupo Pinho, especializado em comércio exterior e logística aduaneira. Mas segundo o especialista, não há falta de alumínio, mas produção industrial insuficiente.

Cervejarias param produção e doam cilindros de oxigênio para hospital no Paraná

Três cervejarias interromperam parte da produção da bebida alcoólica e se uniram para doar cilindros de oxigênio ao hospital de Clevelândia, na região sudoeste do Paraná. Em situação crítica no sistema de saúde por causa da pandemia de coronavírus, o estado registrou 97% de ocupação nos leitos de UTI. Participaram da ação as cervejarias Insana, Formosa e SchafBier, que entregaram 17 cilindros, sendo três de 1 quilo, três de 7 quilos e outras 11 unidades de 10 quilos. “Recebi a informação de que Clevelândia estava com dificuldade de fornecer oxigênio e no mesmo momento entrei em contato com a fábrica para saber o que tinha disponível para ajudar. Paramos parte da produção porque usamos o oxigênio para a fermentação do produto”, comentou o coordenador da campanha, Pedro Reis, ao portal UOL. Com as doações, o Hospital Estadual de Clevelândia, que tem capacidade máxima para atender com até 40 cilindros diários, agora conta com quase 60 no tratamento contra a Covid-19. “Os cilindros estão sendo levados para a distribuidora para o envasamento do oxigênio. O produto não está em falta, o problema é a falta do cilindro, o que gerou a campanha. Foi retirado o oxigênio usado nas indústrias e envasado o de pureza de no mínimo 95% para o consumo humano. Não precisa de adaptação do cilindro, apenas a higienização”, esclareceu o diretor da 7ª Regional de Saúde do Paraná, Anderson Nezello. Clevelândia, que tem população de 16 mil habitantes, registrou 1.222 casos confirmados de Covid-19, sendo 894 recuperados. “Passamos por um momento muito tenso porque antes não tínhamos uma demanda significativa, além de o perfil dos internados, que era diferente do ano passado e que não utilizavam com intensidade o oxigênio. Observamos que atualmente, quase todos precisam e os direcionados para UTI já vão para intubação. Isso pegou todo mundo de surpresa e não é da noite para o dia que se produz um cilindro”, lamentou Nezello ao portal UOL.

Festival Brasileiro da Cerveja será realizado em março de 2022

O Festival Brasileiro da Cerveja e a Feira Brasileira da Cerveja já têm uma nova data. Serão realizados entre os dias 9 e 12 de março de 2022, na Vila Germânica, em Blumenau. Os eventos serão organizados novamente pela Associação Blumenauense de Turismo, Cultura e Eventos (Ablutec), com apoio da prefeitura de Blumenau. Eles seriam realizados em março deste ano, mas foram adiados por conta da pandemia do coronavírus. A nova data foi escolhida pois a expectativa é de que a maior parte da população esteja vacinada em 2022. Como novidades para a edição, haverá pela primeira vez uma loja de produtos exclusivos com a grife do Festival. As atrações musicais serão mantidas. Tradicionalmente, o Festival Brasileiro da Cerveja e a Feira Brasileira da Cerveja ocorrem junto ao Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC), que é uma realização da Ablutec com a coordenação técnica da Escola Superior de Cerveja e Malte. Mas neste ano, apenas o Concurso foi mantido. Ele vai ocorrer nos dias 6, 7 e 8 de março de 2021, no Parque Vila Germânica, em Blumenau. O evento não é aberto para o grande público, mobilizando essencialmente um grupo de jurados. A organização do concurso afirma que serão adotados todos os protocolos de segurança sanitária necessários, que serão divulgados nos próximos dias para os jurados e parceiros. A cerimônia de premiação será virtual. Uma nova edição do CBC também será realizada em março de 2022, juntamente às próximas edições do Festival e da Feira. Develon da Rocha, presidente da Ablutec, afirma: “O Festival Brasileiro da Cerveja é um dos principais fomentadores da cultura cervejeira do nosso país, a Ablutec trabalha constantemente para inová-lo, fazendo com que se torne mais atrativo para o público e para as cervejarias. Esse adiamento foi necessário para realizarmos o evento com toda a segurança diante da grandiosidade do Festival”.

Concurso Brasileiro de Cervejas de Blumenau recebe 3.162 inscrições

O Concurso Brasileiro de Cervejas, em Blumenau, contará com a participação de 467 cervejarias de todo o país, que inscreveram 3.162 rótulos para a competição. O prazo para adesão terminou nesta quarta-feira, 20. O evento é o maior concurso de cervejas da América Latina e um dos maiores do mundo. O concurso será realizado de forma presencial, com a participação de jurados. Apenas a cerimônia de premiação será virtual, integrando os cervejeiros. Develon da Rocha, presidente da Associação Blumenauense de Turismo, Cultura e Eventos (Ablutec), que organiza o evento, destaca que os protocolos de segurança sanitária serão devidamente cumpridos. “Serão obedecidas as normas previstas nos decretos dos governos estadual e municipal que estiverem em vigor em março. Desde cuidados básicos, como distanciamento social, higienização constante e uso obrigatório de máscaras, até outras medidas a serem determinadas pelos órgãos públicos”, afirma. A edição de 2020 foi o último concurso nacional de cerveja realizado antes do isolamento social por conta do novo coronavírus. E a edição de 2021 vai reabrir o calendário do setor no cenário de pós-pandemia. Fernanda Bressiani, coordenadora técnica do CBC pela Escola Superior de Cerveja e Malte, comemora o bom resultado nas inscrições para a edição deste ano. “Analisando o número de amostras inscritas, fica clara a força que o Concurso tem dentro do mercado cervejeiro, pois ainda que em tempos complexos, o volume praticamente se manteve o mesmo da última edição. Vemos um mercado otimista e pensando em crescimento e isso é excelente para todo o setor”. Além da premiação, que confere aos vencedores um diferencial estratégico junto ao mercado e aos consumidores, as avaliações e comentários dos juízes ficam disponíveis para que os inscritos possam melhorar os seus processos produtivos. O intuito é que o Concurso Brasileiro de Cervejas apoie uma evolução continuada dos produtos brasileiros. A nona edição do Concurso Brasileiro de Cervejas será realizada nos dias 6, 7 e 8 de março de 2021, no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC). O evento é uma realização da Associação Blumenauense de Turismo, Cultura e Eventos (Ablutec) com a coordenação técnica da Escola Superior de Cerveja e Malte. O Festival Brasileiro da Cerveja e a Feira Brasileira da Cerveja, que também estavam previstos para ocorrer em março, foram adiados. A expectativa da organização é realizar os eventos no segundo semestre, quando a vacinação da população brasileira contra o novo coronavírus estiver mais avançada, mas as novas datas ainda não foram definidas. Assim que remarcadas, a Ablutec comunicará todos os parceiros e o público em geral.

Cerveja Sol: uma análise de posicionamento

A marca de cerveja Sol, hoje pertencente ao Grupo Heineken, chegou ao Brasil em meados da década de 90 e evolui sua receita e posicionamento conforme o mercado nacional. Presente em mais de 70 países, a cervejaria buscou incorporar parte da cultura local em suas unidades. Enquanto no México produzia versões com sal, limão e até pimenta, no Brasil inovou com versões mais leves (“nem forte, nem fraca, no ponto”), embalagem de menor tamanho, trazendo a primeira garrafa de 250ml para o país, com a ideia de um consumo mais rápido e mais gelado. Baseada em pesquisas de consumo, a Sol procurou adaptar sua cerveja para o gosto brasileiro, pensando sempre em um clima tropical, refrescante e leve. Em 2014 adotou para o Brasil a receita original mexicana (mais intensa) com o posicionamento Premium, repensando a roupagem da marca, assumiu um novo slogan: “Espíritu libre”, que não se rende ao conformismo e faz as coisas do seu jeito. Esse novo posicionamento permitiu que a marca pudesse agregar valor nas prateleiras, visto que o preço de compra aumentou, sempre associando a bebida a momentos de lazer, praia, piscina e sol. A marca foi visionária ao adotar a garrafa transparente e o uso do limão para servir, que posteriormente foi desafiada por sua concorrente Corona Extra (Ab Inbev), chegada ao Brasil em 2014. É visível como as marcas compartilham valores próximos, vendem a ideia de cerveja refrescante, leve, para os dias de sol. Mas isso não parou a cerveja Sol. Em novembro de 2020 a Cervejaria Sol anunciou que suas operações no Brasil passaram a ser produzidas exclusivamente com energia solar o que deu origem a mais uma virada com uma campanha de mestre. Fez uma parceria com Vitor Kley, cantor da música ” O Sol”, uma das músicas brasileiras mais ouvidas em 2018, produzindo um novo clipe em dezembro de 2020 para complementar a novidade do mês anterior. O clipe inteiramente produzido com luz solar, tem um clima descontraído, vivo e com as cores da marca (muito amarelo), e claro, muita cerveja Sol junto à letra da música. Isso significa reforçar seu último slogan: “Taste the Sun”, que faz alusão a sentir o sol de diversas maneiras e se beneficiar de sua energia positiva. Essa metáfora, vem carregada de consciência, que procura engajar seu consumidor com a nova missão da marca de produzir cerveja com energia limpa. E por que essa é uma campanha de mestre? Porque dessa forma, a marca vai além da cerveja e busca mostrar que incorpora seus próprios valores de viver a energia do sol em todos os momentos, evidenciando que a energia positiva do sol é tão real, que pode chegar a produzir cerveja. Essa filosofia na prática, vende muito mais que somente a ideia de um dia quente refrescado pela cerveja. A forma como a marca quer ser vista faz com que ela se mexa para se adaptar ao mercado e suas exigências, esse tipo de ação não ocorre porque a empresa como um todo está preocupada genuinamente com a questão ambiental, é uma percepção de como pode ser relevante para o consumidor em escolher sua marca por um posicionamento que lhe agrada. Não é uma estratégia nova, não é a primeira e nem vai ser a última. Nos últimos anos, vemos um crescente interesse por parte das empresas, de mostrarem suas preocupações com o meio ambiente, com os problemas sociais, apoio às minorias, etc. e suas ações que provem que essas preocupações não estão só no papel. Esse fenômeno tem a tendência de crescer cada vez mais, visto que o consumidor está mais exigente e está cobrando posicionamento das marcas que consome e isso também inclui o cuidado em perceber quando a marca se utiliza de oportunismo para crescer em determinado público. Portanto, o estudo de marketing deve ser essencial para uma marca e deve englobar diversos setores de uma empresa, pensando de maneira sistemática e completa.

Festival Brasileiro de Cervejas é adiado

O Festival Brasileiro da Cerveja em Blumenau foi adiado para o segundo semestre de 2021. A nova data do evento ainda será definida, de acordo com a disponibilidade do Parque Vila Germânica, palco da exposição. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (18) por Ulysses Kreutzfeld, diretor administrativo financeiro da Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec), responsável pelo evento. Inicialmente, o festival aconteceria entre os dias 10 e 13 de março. Mas a insegurança para promover eventos com grande público pesou na decisão. Ao que tudo indica, um percentual muito pequeno da população deve estar vacinada contra a Covid-19 daqui dois meses. Além disso, o espaço físico da Vila Germânica está no centro da estratégia municipal de combate ao coronavírus. Assim como o festival, a Feira Brasileira da Cerveja, que ocorreria de maneira paralela, também foi transferida para outra data, a ser definida. Já o Concurso Brasileiro de Cervejas está mantido. Como se resume à análise de amostras por parte dos jurados, sem presença de público, é possível impedir aglomerações e garantir a segurança sanitária da competição.

Hard Seltzer: bebida que rouba mercado da cerveja nos EUA cresce no Brasil

Dos mesmos criadores daquele livro piegas motivacional chamado Quem mexeu no meu queijo?, que fez sucesso no início dos anos 2000, surge um novo questionamento existencial: Quem está roubando espaço da cerveja nos freezers de bebidas alcoólicas americanos, britânicos e de outros países? A resposta curta é Hard Seltzer, uma água com gás alcoólica saborizada. Para se ter uma ideia, segundo levantamento do instituto de pesquisa YouGov, as três principais marcas da nova bebida chegaram a vender mais que os seis principais rótulos de cerveja durante alguns meses de 2020 nos Estados Unidos, principalmente no calor. Mas o fenômeno por trás disso, teoricamente embasado em um estilo de vida mais saudável, é algo mais complexo. A Hard Seltzer vem ganhando tração há cerca de meia década graças aos millenials, geração nascida entre meados dos anos 80 e o fim dos anos 90. Tudo começou anos antes, com jovens buscando um estilo de vida mais saudável que as gerações anteriores e se atentando para a necessidade de beber mais água. O próximo passo foi substituir refrigerantes e sucos por água com gás (chamada de seltzer por lá), que naturalmente ganhou versões saborizadas. Aí foi questão de tempo até surgirem experimentações alcoólicas pela mão dos americanos, colocando o termo hard (ou spiked) no rótulo para identificar a presença de álcool. A Bon & Viv (hoje da AB Inbev), de 2013, foi a primeira, seguida de White Claw e Truly, de 2016, hoje líderes de mercado. Com menos de 100 calorias e quantidade inferior a 2 gramas de açúcar por lata, o produto é vendido pelas marcas como leve, refrescante e até mais saudável que outras opções do segmento. Sem esquecer, é claro, da “tonturinha”, contando com teor alcoólico de cerca de 5%. Tá, boa história. E os números? A consultoria Nielsen divulgou dados de janeiro a outubro de 2020 que mostram que o mercado de Hard Seltzers movimentou US$ 3,2 bi nos EUA durante o período, um crescimento de 188% em relação ao ano anterior e o quarto seguido com avanço de três dígitos. Com isso, as grandes marcas do setor cresceram o olho para a nova oportunidade. Hoje, rótulos como Corona e Budweiser (também da AB Inbev), possuem suas versões do produto. E a multinacional de bebidas com DNA brasileiro gostou tanto do mercado que lançou mais uma Hard Seltzer em dezembro. Trata-se da Cacti, feita em parceria com o trapper Travis Scott. Com uma legião de fãs fiéis, o artista consegue ótimos resultados emprestando sua marca para grandes companhias. A coisa está tão escalada que ele teve até menu próprio no McDonalds americano (como se fosse um prato no brasileiríssimo Paris 6). No Brasil Essa onda gasosa começa a ganhar força no Brasil agora, com o despertar de outro gigante. Lembra que a Coca-Cola anunciou no ano passado que estava cortando metade do seu portfólio de bebidas para focar em novos negócios? Pois é, te dou uma chance para adivinhar qual produto se tornou a prioridade da marca. Batizado de Topo Chico (uma marca de água com gás tradicional no México), o novo rótulo foi lançado em setembro invertendo a lógica do mercado: nada de Estados Unidos e Reino Unido, praças com marcas já estabelecidas, puxando a fila. Brasil e México, dois países com consumo gigantesco de cerveja e sem grande penetração de Seltzers, foram os escolhidos. “Estamos sempre observando os movimentos das pessoas, o que elas estão buscando. Há estimativas de que as Hard Seltzers vão tomar 10% do que já foi ocupado pelas cervejas nos EUA, e acreditamos que no Brasil possa ser parecido”, diz Renato Shiratsu, diretor da Coca-Cola Brasil. A bebida, disponível nos sabores morango, abacaxi e limão e vendida por cerca de R$ 5 cada lata de 310 ml, é produzida em fábrica terceirizada no interior de São Paulo e está ganhando o país aos poucos. Shiratsu afirma, no entanto, que o engajamento do público consumidor e das varejistas tem sido positivo. E, se existe mercado tradicional, é certo que há marcas investindo na produção do produto em menor escala, de forma artesanal. É o caso da cervejaria carioca Three Monkeys, que lançou sua Hard Seltzer Hintz no ano passado buscando amealhar uma nova segmentação de público. “Não acho que vão substituir as cervejas. As especiais continuam sendo únicas, com perfil sensorial, malte, lúpulo”, diz Léo Gil, sócio-fundador da Three Monkeys Beer. “O que o pessoal quer é uma bebida leve, refrescante, que dá para tomar no Carnaval ou depois de uma corrida na praia.” Com produção de 5 mil litros por mês, a Hintz está disponível nos sabores citrus, frutos silvestres, tropical (abacaxi, coco, maracujá) e fresh (limão, melancia e gengibre). O preço sugerido é de cerca de R$ 10. Gil conta que a ideia é baixar o valor para popularizar a marca. Outros exemplos de fabricação brasileira vêm das marcas Lambe Lambe e Joví. A segunda, inclusive, possui duas linhas: em lata e long neck, totalizando uma produção de 60 mil litros mensais. Perfil de sabor Mas se muito pode ser dito sobre o potencial mercadológico do segmento, o perfil de sabor é algo menos desenvolvido, pelo menos até então. “É uma bebida leve, em que você não sente o sabor do álcool mas consegue ficar alto mesmo assim”, resume Rodrigo Capote, dono da Kombucharia, em São Paulo. Responsável pela primeira kombucha alcoólica do Brasil, que dá muito mais trabalho para fazer, também disponibilizou a Hard Seltzer em uma das torneiras do seu bar, com sabor de limão e maracujá. Capote conta que a receita leva dois dias para fazer e tem feito sucesso no verão por conta da sua refrescância. O processo consiste basicamente em diluir o álcool destilado de cana de açúcar em água, adicionar os sabores desejados e forçar a carbonatação do líquido, para ficar gasoso. Também dá pra fazer uma gambiarra em casa juntando vodca, extratos de fruta, ácido cítrico e água com gás.

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A base de conteúdos desse canal é oriunda do antigo site Cerveja em Foco.